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Obra pública e infraestrutura: 5 lições da Suíça

Em 1 de Junho de 2016, o túnel de base de São Gotardo foi inaugurado: 6 meses antes do previsto com apenas 20% acima do orçamento. A obra já é tida por estudiosos como referência.

O túnel de 57 km corre 2.300 metros sob os Alpes suíços (é o maior túnel do mundo). A construção levou 17 anos e custou 11 bilhões de euros, mas gera uma economia de 45 minutos de viagem entre Alemanha-Itália, reduz o impacto e custos ambientais do tráfego de mercadorias da estrada.

A Hertie School  escola alemã especializada em políticas públicas – listou 5 motivos que fazem do Túnel um exemplo de boa gestão e infra-estrutura. Confira:

1. Expertise e planejamento abrangente antes da contratação

Swiss Federal Railways, empresa responsável pela gestão da malha ferroviária da Suíça, contratou profissionais com grande experiência em infra-estrutura e manteve o mesmo supervisor na liderança de 2007 até a conclusão da obra. Eles fundaram uma subsidiária dedicada à obra, pois demandava um fluxo constante e confiável de informações entre os empreiteiros e supervisores na fase de construção.

2. Memória institucional

Pessoas dentro dos diversos órgãos da administração pública, como o escritório federal de Finanças e Auditoria, já tinham experiência em projetos de infraestrutura – especialmente túneis. O tamanho do país e a objetividade do projeto (focado em cavar através da montanha) colaboraram para se tornar uma obra “curta”: se fosse na Alemanha, por exemplo, envolveria múltiplos órgãos federais na fase de financiamento e administração de projetos e complicaria a execução da construção.

3. Inclusão das partes interessadas

Neste caso, a construção foi assegurada e confirmada por vários referendos com apoio da população, que em 1992 disse “sim” ao início das obras.

4. Reavaliação dos riscos e custos ao longo do ciclo de vida do projeto

Por causa das incertezas envolvidas na perfuração através de muitos tipos diferentes de camadas da rocha, os gerentes de projeto estavam cientes de que as estimativas de financiamento iniciais para a obra poderiam mudar ao longo do prazo (17 anos). Estes riscos e necessidades foram continuamente reavaliados e em meados da década de 2000, quando o financiamento foi alterado, não houve surpresas.

5. Supervisão financeira contínua

A comissão de revisão parlamentar permanente foi responsável pela avaliação e autorização de custos adicionais no túnel de São Gotardo. A pressão desse comitê fez com que a empresa entregasse o túnel quase um ano antes do previsto. Na Alemanha,  por exemplo, não existe uma supervisão durante a obra.

Fonte: Nexo Jornal

About the author: Amaral Maia Advogados

O escritório foi fundado em 1988 pelo sócio Antônio Carlos do Amaral Maia e desde então tem obtido resultados expressivos em litígios complexos e na assessoria dos clientes em seus negócios extrajudiciais.

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